Análise Financeira: como tomar decisões assertivas em 3 passos! – FCAPJR. Consultoria

Análise Financeira: como tomar decisões assertivas em 3 passos!

“Se não podemos medir algo, não podemos gerenciá-lo. Se medimos errado, gerenciamos errado. Tudo que não é gerenciado deteriora.” (Peter Drucker)

Fazendo uma analogia ao corpo humano, podemos dizer que o financeiro é o coração da empresa: sem o controle desse, o negócio não consegue funcionar. Um bom planejamento e uma análise financeira realizada constantemente é um dos principais fatores influenciadores do sucesso ou fracasso da empresa.  

Contudo, devido a falta falta de conhecimento técnico, a gestão dessa área ainda é uma das grandes dores das micro e pequenas empresas brasileiras.

Sendo assim, é importante buscar a constante melhoria no gerenciamento das finanças da sua empresa. Para isso, é preciso fazer uma análise dos seus dados financeiros, gerenciá-los e traçar planos de ação visando um progresso consistente.

A análise financeira deve tornar-se uma ação gerencial estratégica constante do empresário. A partir dessa, você poderá tomar decisões assertivas acerca das finanças do seu negócio.

trilhaaaaaaaaPensando nisso, nós decidimos compartilhar com você um guia completo de como fazer uma análise financeira em 3 passos, aplicável para todas as empresas, com base na nossa expertise adquirida através dos mais de 100 projetos de consultoria executados desde 2013. Vamos lá?

3 Passos para fazer uma Análise Financeira

  1. Coleta de Dados Financeiros

Para realizar a análise financeira, faz-se necessário possuir documentado todos  os demonstrativos contábeis, o fluxo de caixa e um banco de dados das vendas realizadas.

  • Demonstração de Resultado (DRE): demonstração contábil que tem com objetivo evidenciar a formação do resultado líquido em um exercício, através do confronto das receitas, custos e despesas e impostos.

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Caso você não tenha elaborado o DRE da sua empresa, faça agora através da planilha no site do contaazul.

  • Balanço Patrimonial: demonstração contábil destinada a evidenciar, qualitativa e quantitativamente, numa determinada data, a posição patrimonial e financeira da Entidade. Nele, serão observadas as contas de ativos da empresa (bens e direitos), contas de passivos (obrigações), o patrimônio líquido (investimento inicial dos sócios) e o lucro reinvestido no negócio. Para saber como fazer um Balanço Patrimonial, visite o blog da luz.

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                                                               Exemplo de Balanço Patrimonial

Contas do Ativo Circulante: caixa, aplicações financeiras, contas a receber, estoques;

Contas do Ativo Não-Circulante: vendas, empréstimos, fábricas, escritórios e móveis, equipamentos;

Contas do Passivo Circulante: salários, impostos, fornecedores, empréstimos;

Contas do Passivo Não Circulante: empréstimos, pagamentos a fornecedores;

Obs.: circulante é o que pode ser convertido em dinheiro dentro do período de um ano e o não circulante só pode ser convertido em dinheiro a longo prazo.

 

  • Fluxo de caixa: é um instrumento de controle crucial para o gerenciamento das finanças. Ele é adotado em empresas para acompanhar a movimentação financeira em um determinado período de tempo, no qual entradas e saídas de capital são documentadas para verificação e análise. Para baixar uma planilha de fluxo de caixa gratuita, clique aqui

 

 

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                                    Exemplo de Fluxo de Caixa
  • Banco de dados das vendas: é importante possuir documentado todos os dados dos clientes relacionados às vendas (nome, data, valor, detalhamento do produto) para que possa ser feita  verificação dos clientes que devem ou já deveram para a sua empresa. Dessa maneira, é possível gerenciar as inadimplências. 

             A partir do momento que você gerencia a data de recebimento de um cliente que pode ser um possível devedor e já sabe a próxima data que o mesmo vai comprar no mês seguinte, faz-se necessário entrar em contato com ele e negociar um possível limite de crédito ou condição de pagamento.

        Essa negociação personalizada pode evitar que haja uma insuficiência na conta Contas a Receber, o que desbalancearia o Fluxo de Caixa e, consequentemente, toda a área financeira. Caso você queira saber mais sobre uma política de cobrança, leia esse artigo do SEBRAE.

2. Análise dos Dados Financeiros

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Com base nos dados coletados acima deve-se realizar um estudo sobre o equilíbrio do negócio, a partir da análise de cada demonstrativo contábil.

2.1 Análise da DRE e do Balanço Patrimonial

Podem ser feitas várias análises financeiras com base nesses demonstrativos. Neste texto vamos abordar as duas análises mais conhecidas e didáticas que podem ser feitas com base no Demonstrativo de Resultado e no Balanço Patrimonial: a vertical e a horizontal.

Quando fazemos uma análise financeira vertical, descobrimos a importância de cada conta em relação à demonstração financeira a que pertence, ou seja,  ao ativo, passivo ou ao patrimônio líquido.

Por exemplo, podemos saber a porcentagem da conta caixa em relação ao ativo total. A fórmula utilizada deverá ser:

Análise Financeira

Através da comparação com padrões de empresa do ramo ou com percentuais da própria empresa em anos anteriores, pode-se inferir se existem itens fora da proporção comum.

Já a análise horizontal serve para analisar as contas de um período para outro. Dessa forma é possível analisar tendências e apresentar a evolução no tempo de cada conta. Para ser utilizada é preciso ter como parâmetro dois períodos (o ideal é considerar o ano).  

A fórmula é a seguinte:  

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Essa análise  horizontal é necessária para verificar o aumento das contas ao longo dos anos.

Além disso, a partir de ambas as análises é possível inferir alguns fatores. É importante lembrar, portanto, que é preciso fazer as duas análises em conjunto, pois uma separada da outra pode mascarar o desempenho da empresa.

 

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  Exemplo de uma Análise Financeira: Vertical e Horizontal

É visto que a Análise Horizontal é feita de um ano para o outro (de 2008 para 2009). Caso pegarmos a conta de Realizável a Longo Prazo, podemos perceber que houve um aumento de 895,2% dentro de um ano. Isso pode ser justificado por um grande investimento realizado nesse período ou por uma grande aquisição de bens imobilizados.  

Em relação a  a Análise Vertical, podemos perceber que essa mesma conta representava em 2009 cerca de 0,1% da conta ativo total, enquanto em 2008 essa conta representava 1,3% do ativo.

Portanto, é visto que apesar da conta ter aumentado substancialmente dentro de um ano, ela ainda  não possui um impacto significativo nos bens e direitos da empresa no geral. Caso tivesse sido feita apenas a análise horizontal, poderia-se inferir que houve um enorme impacto na empresa devido ao grande aumento na porcentagem da conta.

Entretanto, quando olhamos o panorama geral, percebemos que, em comparação as outras contas, o Realizável a longo Prazo não interferiu tanto no resultado da empresa, visto que representa apenas 1,3% do ativo. 

2.2 Análise de Fluxo de Caixa

Com um fluxo de caixa feito, faz-se necessário realizar a análise financeira constantemente para que um gerenciamento eficaz.

2.2.1 Receita e Despesa

Ao observar as entradas e saídas do caixa, você poderá inferir, de maneira intuitiva, alguns dados importantes para o gerenciamento das finanças.

Será possível identificar se existe alguma sazonalidade nas vendas, ou seja, se a sua receita é influenciada por fatores externos, como feriados, datas comemorativas ou dias de semana específicos.

Além disso, é possível perceber também se  existe alguma tendência de pagamentos a serem realizados. Caso você precise pagar o salário dos funcionários e os fornecedores em datas próximas, é aconselhável  criar um espaço entre os dias da pagamento. Além de ser muito trabalho administrativo você terá um rombo no seu fluxo de caixa!

Vale ressaltar também que caso você perceba que possui muito dinheiro em caixa que ainda está sem destino, pode estar na hora de considerar fazer algum investimento ou comprar em escala do fornecedor, visando diminuir o custo na hora da compra. 

2.2.2 Análise Estratégica de Fluxo de Caixa

Para possuir uma visão mais estratégica, é preciso fazer alteração na estrutura do fluxo de caixa geralmente apresentado. É indicado adaptá-lo à estrutura adotada na Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) utilizada pela contabilidade.

Na DFC, os fluxos de entrada e saída de recursos financeiros são agrupados em três atividades distintas: Atividade Operacional, Atividade de Investimento e Atividade de Financiamento.

A atividade operacional considera os fluxos de entrada e saída de recursos financeiros relacionados com a atividade principal da empresa, tais como compra, armazenamento, produção, venda e distribuição.

A atividade de investimento considera os fluxos de entrada e saída de recursos financeiros relacionados com o aumento da capacidade de geração futura de caixa da empresa, normalmente associado a compra e venda de ativo permanente (ou não circulante). Isto é, a compra de um carro, computador ou máquina para empresa.

Por fim, a atividade de financiamento considera os fluxos de entrada e saída de recursos financeiros relacionados às transações com recursos próprios ou de terceiros, normalmente associados aos aportes de capital realizados pelos sócios, aos pagamentos de dividendos, captação e amortização de empréstimos e financiamentos.

Dessa forma, é possível que você possua uma visão mais ampla  e estratégica do negócio, visto que você poderá dimensionar em quais setores os recursos estão sendo mais consumidos e em qual deles a verba poderá ser melhor investida a médio e longo prazo.

É válido acrescentar ainda que este não é um modelo fechado: vai depender de quais atividades financeiras são mais presentes no dia-a-dia da sua empresa.

 

3. Criação de Metas e Indicadores

Por meio da criação dos chamados KPI’s – os Indicadores-Chave de Desempenho – é possível monitorar todos os processos e descobrir o que está e o que não está funcionando na sua gestão. Podem existir indicadores para todas as áreas da sua empresa, mas aqui vamos falar especificamente dos Indicadores Financeiros. 

É por meio da criação desses indicadores que você vai conseguir manter o foco para ir atrás das metas estabelecidas, evitando se perder em meio a uma enorme quantidade de dados financeiros. 

Essas metas devem ser criadas com base na Visão da Empresa. Ao saber exatamente aonde você quer chegar, fica mais fácil fazer o desdobramento em ações – que serão medidas pelos indicadores.

Por exemplo, caso você possua um E-commerce e a sua Visão é ser a principal escolha de compra para um determinado nicho de Mercado em 2 anos, as suas metas devem ser criadas com base nessa visão.

Sendo assim, as metas poderão ser: aumentar o número de clientes ou fazer ações de marketing específicas para esse nicho. 

A partir daí, haverá o desdobramento da meta em indicadores. Esses poderão ser o número de visitas ao site que se convertem em vendas ou o número de clientes advindos do marketing criado.

Os indicadores são criados através de índices e demonstram parâmetros da saúde da empresa, permitindo comparativos de desempenho entre diferentes períodos, de maneira a avaliar o resultado atual em relação a outros períodos históricos.

É possível extrair diversos indicadores de desempenho do Demonstrativo de Resultado e do Fluxo de Caixa.

Caso o indicador esteja abaixo ou acima do esperado, é o seu papel como gestor financeiro a criação de planos de ação para a normalização de cada indicador.

Por exemplo, caso você possua um indicador de Prazo Médio de Estocagem – isto é, um índice que vai indicar quanto tempo a sua mercadoria permanece no estoque – e caso esse esteja acima ou abaixo do nível ideal, a próxima etapa é pensar em planos de ação para chegar ao nível esperado.

É a partir desse indicador, por exemplo, que você poderá perceber se é preciso adiantar o pedido aos fornecedores (caso esteja abaixo do ideal) ou fazer um investimento em vendas para que essas ocorram de forma mais dinâmica. 

Existem vários indicadores financeiros que você pode utilizar em sua empresa como estratégica financeira. Como por exemplo, os índices abaixo: 

Índices de liquidez: liquidez é um conceito econômico que considera a facilidade com que um ativo pode ser convertido no meio de troca da economia, ou seja, é a facilidade com que ele possa ser convertido em dinheiro. Esse índice avalia a capacidade de pagamentos da empresa para fazer frente às suas obrigações e representa um grande referencial de longevidade da empresa.

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Índice de endividamento: avalia a representatividade do volume de obrigações (capital de terceiros: fornecedores, bancos, …) comprometidos frente ao capital próprio da empresa.

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Índice de rentabilidade sobre vendas: demonstra a relação do lucro operacional* com as vendas realizadas.

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Prazo médio de estocagem –  calcula o prazo médio de quanto a mercadoria fica parada no estoque ao longo do ano. É calculado pelo valor da conta estoque dividido pelo CMV*.                          

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*Lucro operacional: lucro gerado única e exclusivamente pela operação do negócio, descontadas as despesas administrativas, comerciais e operacionais. Assim, exclui-se qualquer movimentação financeira.

*CMV: custo de mercadoria vendida. Significa a baixa efetuada nas contas dos estoques por vendas realizadas no período.

É importante lembrar, entretanto, que esses indicadores devem ser criados com base no seu objetivo final. Esses são o desdobramento da sua estratégia financeira e é o que vai monitorar o desempenho da empresa.

A partir dessas análises, é possível possuir uma visão mais estratégica das finanças do Negócio e tomar decisões embasadas e assertivas.

Lembre-se de que a gestão financeira é o coração da sua empresa. Devido ao cuidado que o setor financeiro requer, muitas empresas contratam consultorias para que esses processos e análises sejam realizados com excelência.

Sabemos que além da gestão financeira, a gestão empresarial como um todo exige muito esforço e conhecimento.

Pensando nas dificuldades enfrentadas pelos Empreendedores no dia-a-dia, nós desenvolvemos esse Guia Completo, onde será possível encontrar os principais problemas das empresas pernambucanas e as ferramentas de gestão mais efetivas para solucioná-los.

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Caso você queira atingir mais resultados na sua gestão, entre em contato com a gente, nós podemos te ajudar!

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         Lavínia Pedrosa                 Analista de Marketing

 

 

 



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